Porque é que o dinheiro parado desvaloriza?

Para compreendermos porque é que o dinheiro parado desvaloriza imaginemos o seguinte cenário.

Um exemplo…

No início de 2012 tinha 100,00€ e decidiu guardar esse dinheiro debaixo do colchão. Também no início de 2012, o preço de 1Kg de arroz XAU-XAU era de 1,00€. Ou seja, se quisesse utilizar os 100,00€, poderia comprar 100 pacotes de arroz.

Quando chegámos ao final de 2012, foi ao seu colchão e os 100,00€ estavam lá. Contudo, o preço de 1 Kg de arroz XAU-XAU agora é de 1,05€ e como tal, com os 100,00€ já não consegue comprar os 100 pacotes de arroz mas apenas 95.

A inflação

Nesta pequena história, um dos factores que interfere no processo é a inflação. A inflação é em termos genéricos a taxa a que crescem os preços dos bens e serviços num determinado período. Está directamente relacionada com a perda de poder de compra.

No caso do exemplo do pacote de arroz, podemos calcular a taxa da seguinte forma:

[latex]frac{1,05 – 1,00}{1,00} = 5%[/latex]

Ou seja, se tivéssemos em conta apenas o preço do pacote de arroz, a taxa de inflação foi de 5%.

E se o dinheiro estiver aplicado no banco, também perco poder de compra?

Depende. Mais uma vez, a inflação tem um papel determinante, mas a taxa de juro do produto bancário também. Voltemos ao exemplo: imagine que em vez de guardar o dinheiro num colchão aplicava os 100,00€ num depósito a prazo com taxa de juro anual líquida de 4%. No final do período, teria consigo 104,00€. Com esses 104,00€ poderia comprar 99 pacotes de arroz, mas não os 100 se fosse no início do período. Logo, para não perdermos poder de compra, o dinheiro deverá ser aplicado num produto financeiro com taxa de juro superior à inflação.

Como posso saber qual o valor da inflação?

O valor da inflação é publicado pelo Instituto Nacional de Estatística e é medido através do  indicador IPC – Índice de Preços no Consumidor. Em termos práticos, trata-se do preço de um cabaz de produtos e serviços representativo que é monitorizado ao longo do tempo e cuja variação reflecte-se no IPC.

E os preços sobem sempre?

Não. Em circunstâncias raras pode ocorrer o fenómeno de deflação. Em Portugal, aconteceu em 2009. Neste caso, ocorre uma redução da generalidade dos preços dos bens e serviços. Assim, até o dinheiro que está no seu colchão valoriza. Contudo, o fenómeno de deflação é raro e, geralmente, é sintomático de uma economia menos saudável.

Conclusão

  • Não deixar poupanças em aplicações financeiras com taxas de juro baixas, como é o caso, por exemplo, de depósitos à ordem;
  • Procure aplicações financeiras, preferencialmente sem risco, que tenham taxas de juro líquidas superiores à taxa de inflação. Actualmente, existem alguns bancos a oferecer depósitos a prazo com taxas líquidas na ordem dos 4%. Como a inflação está a rondar os 3,5% esta poderá ser uma boa opção. Algumas emissões de Obrigações do Tesouro do estado português também têm taxas interessantes.

Se tiver dúvidas, exemplos ou sugestões, deixe o seu comentário. Todos os contributos são bem vindos!

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