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Endividamento: nunca olhar para o lado…

Todos sabemos que os tempos são difíceis. Decerto, estão a ser mais para uns do que para outros. Contudo, todos temos de ter uma visão realista daquilo que é a nossa posição financeira. Isto significa estar consciente do nosso nível de endividamento e aceitar as devidas consequências, sejam elas justas, ou muitas vezes, profundamente injustas.

Neste artigo, vamos tentar percorrer alguns pontos importantes para abordar este problema. Tenha, no entanto, uma certeza:a chave para o sucesso de cada estratégia de eliminação de dívida passa por si, e só por si. A não ser por razões afectivas (entendam-se pais, familiares e amigos), ninguém vai querer envolver-se no seu problema de endividamento. Bem pelo contrário, muitos vão querer distância.

Ganhar consciência do problema

Compreender as consequências do problema ajuda a interiorizar o impacto da dívida na nossa vida. Isto pode parecer psicologia barata, mas acredite, se não tiver vontade de inverter o processo, não há motivação para arcar com as consequências que vão ser duras, muito duras. Mais, é preciso coragem, muita coragem. Por último, se a sua vida é um mar de dívidas, tenha a certeza que isso não é vida para si. Viver com medo do fim do mês, de abrir a caixa do correio ou que lhe batam à porta a pedir contas é um tormento que não merece.

Calcular a taxa de esforço

A taxa de esforço é utilizada muito frequentemente pelos bancos durante o processo de avaliação do cliente quando lhe é solicitado um crédito. No entanto, poderá utilizar este indicador para ter noção de até que ponto passou a linha vermelha. Para calcular a sua taxa de esforço, vai precisar de conhecer bem todos os seus rendimentos e os seus gastos mensais, nomeadamente, prestações relacionadas com dívidas, créditos e cartões de crédito. Alguns blogues de finanças pessoais ajudam e explicam como calcular esta taxa:

Note que não deve desmoralizar se a sua taxa de esforço for muito elevada. Acima de tudo, deve utilizar este indicador para ter uma noção clara da sua situação actual e do que deverá procurar atingir.

Pare de pagar a crédito

Pagar a crédito significa muitas vezes consumo acima das possibilidades. Nem sempre é assim, pois pode-se tratar de um investimento pensado e reflectido em que as consequências de uma prestação mensal foram devidamente equacionadas. Mas quando a dívida começa a tornar-se elevada, então não existe conciliação possível. Pare de adquirir dívida. Reduza dramaticamente o uso do cartão de crédito até não precisar mais dele. Pare de comprar a crédito.

Reduza os pagamentos mensais ao mínimo essencial

TV por cabo, também? Se o incumprimento está iminente, ou seja, se está prestes a falhar um pagamento por falta de dinheiro, então sim. Corte com tudo o que for possível: ginásio, telemóvel ou fixo, assinaturas de revistas, serviços de limpeza doméstica, seguros de saúde, anuidades de cartões, etc.. Uma boa ideia é percorrer a lista de autorizações de débitos directos associados à sua conta bancária. Tenha em conta que enquanto não gastar mensalmente menos do que aquilo que ganha, então ainda não reduziu o suficiente. Entretanto, gaste algum tempo a procurar alternativas económicas (de preferência, grátis) aos serviços que acabou de cancelar. A vida não tem de se tornar um vazio por causa das renúncias que acabámos de fazer.

Em casos de endividamento grave, mesmo depois de reduzir o valor dos pagamentos mensais, poderá chegar à conclusão que não é possível comportar os créditos remanescentes como o automóvel ou o crédito à habitação. Nestes casos, e não havendo margem de manobra, está na hora de fazer aquilo que os ingleses chamam downsizing, ou seja, tornar mais pequeno.

Antecipe-se. Procure uma casa, um carro, uma mota ou outros bens adquiridos a crédito mais económicos, pois o normal desenrolar dos acontecimentos vão exigir-lhe isso, mais tarde ou mais cedo. Se tomar a iniciativa, pelo menos, vai poder controlar uma parte do processo. Se vir que algum destes bens é dispensável, então venda-o. Não ignore esta situação, não olhe para o lado como se nada estivesse à acontecer. Comece hoje mesmo.

Constitua um fundo de emergência

Depois de inverter a balança financeira (ou seja, começou a gastar menos do que ganha), então, vai começar a ter alguma liquidez para poder começar a poupar. Não se iluda: este não é o momento para se desleixar. Constitua o seu fundo de emergência. Este é um processo que vai levar alguns meses e, vai necessitar, de muita disciplina financeira.

Comece a amortizar as suas dívidas

Após a constituição de um pequeno fundo de emergência, que lhe vai dar alguma estabilidade perante acontecimentos que não estaria à espera, este é o momento de começar a livrar-se dos créditos que ficaram pendentes. Para isso, deve adoptar uma estratégia para amortizar os créditos que estão a consumir o seu dinheiro todos os meses. Neste momento, se a prestação do seu crédito à habitação for compatível com a sua taxa de esforço actual, não vamos considerar este crédito para amortizar. Para já, vamos nos concentrar apenas na amortização dos outros restantes, nomeadamente, dívidas, créditos e cartões de crédito. Poderá ler mais sobre este tópico, no artigo sobre várias estratégias para amortizar dívidas e créditos.

Alguns detalhes a ter em conta…

Se um dos focos desta estratégia para eliminação de dívidas é na redução da despesa, por outro lado, nada o inibe de tentar aumentar a receita através de algum rendimento extra. Poderá conseguir isto de várias formas, nomeadamente: vendendo bens que já não necessita, procurando um segundo emprego, etc..

Se vive em família, sente todos à mesa e explique o que se passa em concreto e as consequências. Tem de ser um esforço conjunto, não faz sentido remar num barco a afundar só com um remo. Ajude todos os elementos do seu agregado familiar a ganhar consciência da dificuldade que enfrentam e o seu plano para a ultrapassarem.

Lembre-se que a solução para a sua situação é única e provavelmente ninguém melhor do que você para descobrir o melhor caminho. Quanto ao tempo de agir, se está numa situação de dificuldade financeira, se vê que as suas poupanças estão a desaparecer a um ritmo considerável, então é agora. Deve começar já. Recordo-lhe que ninguém se vai interessar pelo seu problema mais do que você próprio.

Boa Páscoa!

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