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Como gastamos o nosso dinheiro?

A forma como gastamos o nosso dinheiro diz-nos um pouco acerca do que somos. Recentemente, andei a procurar onde se gasta o dinheiro que temos disponível e quis também perceber como a nossa família se enquadra dentro da média nacional.

Depois de alguma pesquisa nos sites do INE e da PORDATA, encontrei os dados provisórios referentes ao Inquérito às Despesas das Famílias 2010/2011 (IDEF). Segundo uma nota à comunicação social, a despesa média das famílias foi de 20 400,00€ anuais.

Estrutura da despesa anual média por grupos de despesas, Portugal, 2010/2011
Fonte: INE - IDEF 2010/11

O documento do INE no que toca à distribuição média anual dos gastos aponta algumas análises interessantes:

  • Os 3 grupos que mais consumiram o orçamento familiar foram a Habitação, Água, Electricidade, Gás e outros combustíveis (29,2%), Transportes (14,5%) e Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (13,3%). Só estes grupos perfazem 57% dos gastos médios familiares.
  • Os grupos cujos gastos mais aumentaram desde 2005 – ano do  IDEF anterior – em termos de volume (ou seja, considerando o efeito da inflação) foram as Comunicações (+41,8%), os Transportes (+25,9%) e o Ensino (+23,3%). Já o grupo que diminui mais foi o das Bebidas alcoólicas, Tabaco e Narcóticos/Estupefacientes (-23,6%);
  • Famílias com filhos gastam em média mais 840,00€ por mês do que famílias sem filhos.

Não deixa de ser curioso que em termos familiares, a nossa realidade, em alguns grupos de despesas foge um pouco à média nacional. Nos últimos 4 meses, tenho feito a contabilidade caseira e se fizer uma distribuição grosseira dos nossos gastos e compará-los, temos qualquer coisa como o seguinte quadro.

Fonte: INE - IDEF 2010/11

 

Depois de algum tempo a olhar para estes dados, pude detectar as seguintes situações:

  • Os nossos gastos com saúde e educação são muito acima da média nacional, regional e de agregado familiar semelhante. Creio que poderá ser pelo facto de as minhas filhas estarem ambas numa creche onde os gastos com mensalidades são elevados. Por outro lado, os gastos com saúde estão um pouco deslocados por causa da chegada do nosso membro mais novo da família. De qualquer forma, por mais que pareça, não somos uma família “hipocondríaca” nem “super-educada”. Vou andar atento a estes valores.
  • Outros dois valores que fogem à média são os gastos com habitação e outros bens e serviços. Neste caso, o motivo é simples. Quando contraímos o nosso crédito à habitação, pedimos carência de capital nos primeiros 10 anos, ou seja, até à data só pagamos juros do empréstimo que são enquadrados no grupo Outros Bens e Serviços.
  • Por fim, falta referir os gastos com transportes e restauração. Creio que estes grupos estão bastante abaixo da média, fruto da pressão dos valores mais elevados como a educação e a saúde. Contudo, no caso da restauração, temos sido comedidos até pelo facto de o rebento mais novo não estar ainda apto a grandes saídas e poder vir a casa à hora de almoço.

Por fim, o IDEF não deixa de ser um estudo muito interessante sendo uma boa base para a construção de um orçamento familiar. Conhecer a forma como nós e os outros gastam os seus rendimentos ajuda-nos a detectar situações que às vezes nos escapam e a reflectir sobre elas.

Recomendo-lhe uma visita aos sítios na internet do INE e da PORDATA onde poderá consultar as mais variadas estatísticas.

Como se comparam os seus gastos aos da média dos portugueses? Que gastos recomendaria ao “português médio” para reduzir? Deixe o seu comentário!

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